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Regulamento ESA CanSat: o que é realmente avaliado

Regras · atualizado em 19 de outubro de 2026
Regulamento ESA CanSat: o que é realmente avaliado

O regulamento é uma especificação, não um formulário

O documento de uma edição CanSat fixa requisitos, não sugestões. Define o envelope mecânico, a massa máxima, a cadência de telemetria, a altitude de libertação e a grelha de avaliação. Uma equipa que lê o regulamento à procura de campos a preencher perde exatamente a informação que decide a classificação.

A leitura útil faz-se em três passagens: requisitos obrigatórios, requisitos verificáveis em voo e critérios de mérito. Cada requisito deve terminar num item de verificação, com método, responsável e evidência anexada. Sem esse rasto, o requisito existe no papel e desaparece durante a integração.

Regulamento ESA CanSat: o que é realmente avaliado - imagem 1

O envelope de voo em números

Os valores abaixo são a referência habitual das competições europeias. Variam por edição e por organizador, pelo que a confirmação deve ser feita sempre no documento em vigor.

ParâmetroValor típicoEfeito do incumprimento
Massa total300-350 gExclusão na pesagem oficial
Diâmetro66 mmNão entra no dispensador
Altura115 mmNão entra no dispensador
Volumecerca de 330 mlReferência de projeto
Telemetria1 amostra por segundoPerda de dados de descida
Velocidade de descida8-11 m/sJanela de voo fora do previsto
Autonomia em espera2 hFalha antes da libertação

Os critérios que realmente pesam

A avaliação raramente premeia o hardware mais caro. Pesa a coerência entre objetivo científico, desenho, dados e conclusão. Um CanSat simples que responde à sua própria pergunta vale mais do que uma plataforma sofisticada sem resultados tratados.

Os blocos de avaliação repetem-se edição após edição: desempenho técnico, valor científico, qualidade da documentação, apresentação e trabalho de equipa. Os pesos mudam de edição para edição, mas a estrutura mantém-se. A documentação é o bloco mais fácil de ganhar e o mais frequentemente perdido.

Na prática, o júri chega à nota por evidência, não por intenção. Um requisito demonstrado em voo vale mais do que um requisito descrito com convicção, e a equipa que apresenta dados brutos com tratamento honesto raramente desce de nível. As perguntas repetem-se: porque escolheram este sensor, como o calibraram, o que falhou e o que fariam diferente.

Vale a pena preparar respostas curtas para essas quatro perguntas e treiná-las em conjunto. A apresentação é curta e a discussão técnica é onde se ganham ou perdem os últimos pontos.

Verificação em voo: o que se espera a bordo

Durante a descida, o regulamento espera telemetria contínua com dados da experiência e dados de engenharia. Temperatura interna, tensão da bateria, estado do paraquedas e contagem de pacotes não são acessórios: são a prova de que o sistema funcionou como foi desenhado.

Se a experiência mede pressão e temperatura externa, uma cadência de 1 Hz é suficiente para reconstruir o perfil de descida com boa resolução. Se mede vibração ou aceleração, a mesma cadência não chega, e muitas edições permitem registo local desde que os dados sejam recuperados após o voo.

Confirme também o que acontece antes da libertação. Muitos regulamentos exigem telemetria ativa durante a subida, e um sistema que só acorda no instante da ejeção perde os primeiros segundos - precisamente os mais difíceis de reconstruir depois.

Regulamento ESA CanSat: o que é realmente avaliado - imagem 2

Documentação técnica exigida

A maior parte das edições pede um conjunto de entregáveis ao longo do ano. A nomenclatura varia, a lógica não: revisão de requisitos, revisão crítica de desenho, documento de interfaces e relatório de missão.

Um erro comum é tratar estes documentos como burocracia e escrevê-los na semana anterior à entrega. Nessa altura já não corrigem o desenho, apenas o descrevem.

Versões importam. Um documento de interfaces sem número de versão e sem data gera incompatibilidades silenciosas: a placa foi feita para a versão 2 e o firmware para a versão 3. Registe cada alteração e comunique-a a quem integra, mesmo quando a alteração parece trivial.

Os erros que custam mais pontos

O primeiro é a ausência de rastreabilidade: a equipa afirma que cumpriu um requisito sem indicar onde nem como o verificou. O segundo é a telemetria ilegível, com pacotes sem sincronismo, sem identificador e sem verificação de integridade.

O terceiro é o otimismo nos orçamentos. Massa e energia são estimadas no início e nunca atualizadas, e a integração revela 30 g e 200 mAh que ninguém contabilizou. O quarto é a demonstração sem dados: uma apresentação cuidada com gráficos que não vêm do voo.

Há ainda um erro de leitura, que passa despercebido: confundir requisitos com recomendações. O que é obrigatório está identificado como tal, e o resto é margem de desenho. Tratar recomendações como obrigações engessa o projeto sem ganhar um único ponto.

Na componente de rádio, as falhas caras são previsíveis: antena mal sintonizada, conetor soldado com esforço mecânico e pacotes enviados a alta taxa sem margem de ligação. Um teste de alcance de 500 m em linha de vista, feito duas semanas antes do voo, deteta quase todas.

Como ler a edição em vigor

Comece pelo anexo de requisitos e sublinhe todos os verbos de obrigação. Depois construa uma matriz simples com três colunas: requisito, método de verificação e evidência. Preencha-a durante o desenho, não no fim.

Confirme sempre a versão do documento e a data de publicação. As edições alteram massas, bandas e prazos, e um requisito citado de memória é a forma mais rápida de falhar uma verificação. O orçamento de massa e dimensões e o relatório final são os dois pontos onde essa leitura se prova.